Uma das coisas que gosto muito de fazer no verão é ir a uma sorveteria. Embora a recente restrição ao leite e seus derivados tenha diminuído as opções do cardápio, ainda assim saborear um sorvete de mamão papaia ou manga, mesmo sem leite, é uma experiência ímpar. Em uma dessas idas eu fiquei em uma mesa na calçada e vi quando uma família chegou e se sentou à mesa ao lado. Uma adolescente dessa família foi para dentro da sorveteria e logo retornou falando bem alto, ainda saindo à porta: “Pai, me dá dois reais porque faltou aqui”. Ela foi até a mesa, pegou o dinheiro com o pai e voltou para dentro da loja para pagar e pegar o sorvete agora com o pagamento integral.
Aquela cena me chamou a atenção porque alguns meses antes eu havia lido um texto sobre nossa relação com Deus e a forma como fazemos nossos pedidos ao Senhor. O autor do artigo dizia algo sobre a proximidade que gera liberdade, então seu argumento era que quanto mais próximos de Deus mais liberdade teremos em nossas conversas com Ele ao ponto de ao pedirmos algo, nossa fala não soe como ordem ou como uma súplica, mas como um pedido corriqueiro que um filho faz para um pai.
Lembro-me de não ter concordado muito com o que li, mas a experiência na sorveteria me fez repensar o assunto. Na situação que compartilhei, aquela filha pediu o dinheiro sem usar um por favor e sem parecer uma súplica, mas ela sabia que quem tinha o dinheiro era aquele de quem ela era dependente e que ele lhe daria o dinheiro necessário. O Pai também sabia que ela não pediu a mais, pois provavelmente o que ela tinha no bolso teria vindo dele mesmo. Porém, existe um detalhe que não estava no artigo ou não foi dito pela jovem, mas o fato é que ela só estava ali comprando um sorvete porque o pai a havia levado até ali e estava junto, observando de longe, mas ali para qualquer situação.
Quando pensamos em nossa relação com Deus, isso também acontece. Ou seja, a forma como pedimos ou conversamos com o Senhor também depende do lugar em que estamos. Quero dizer com isso que se nos encontramos em um lugar onde cremos que Deus nos conduziu e que Ele está conosco, nossas orações ou nossas conversas com Ele têm outro aspecto. Não há desrespeito nem exigência por ser filho, mas existe uma segurança em saber que estamos em um lugar onde o Criador, Senhor e Pai nos conduziu.
Na Bíblia há mais de um texto onde recebemos a promessa do Senhor que Ele jamais nos deixará (Deuteronômio 31.8). Também lemos nas Sagradas Escrituras que o Senhor é quem nos conduz (Isaías 48.17). Resta-nos saber se o lugar em que estamos é onde o Senhor nos conduziu e se o que temos pedido é exatamente o que nos falta ou é mero capricho de ter mais que o essencial.
Senhor, cuide de nós.
Carlos Daniel
Verso e Som - A Bíblia cantada e guardada no seu coração